Lágrima ácida, já ouviu falar?

OFTALMOLOGIA | Gustavo Brambatti

Saiba tudo sobre a pigmentação causada pela lacrimejamento


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alvez você nunca tenha ouvido falar sobre este assunto, mas se você tem um cão de pelos brancos e focinho curto (braquicefálico), com certeza já pesquisou sobre ele. Essa alteração é mais comum em animais das raças Maltês, Shih-Tzu, Poodle e outras raças que possuem a coloração branca predominante na região da face, sendo também possível ocorrer em gatos com mesma característica.


O conhecido termo “lágrima ácida” é o nome popular dado à pigmentação nos pelos brancos de animais que possuem uma ou mais alterações que causem o extravasamento da lágrima sobre a face do animal, também conhecida como epífora, ou por lacrimejamentos reflexos ao desconforto advindo de alguma alteração ocular. Ao se derramar lágrima sobre o canto nasal (próximo ao focinho) em animais que tenham o pelo claro, o mesmo acaba por oxidar e, em contraste com o pelo branco, apresenta uma coloração marrom avermelhada (semelhante à cor de ferrugem). Isso não ocorre em animais com pelos de cor diferente da branca, pois esses pelos não apresentam um contraste positivo, ficando difícil de perceber a mudança de cor causada pela oxidação. Se você tem um animalzinho que apresente o canto nasal molhado por lacrimejamento pode fazer um teste para comprovar isso, é só passar algum material de cor branca (gaze, algodão ou lenço de papel) sobre essa região e perceberá que a mesma cor característica aparecerá.

Mas a lágrima é realmente ácida? Na verdade, não! O termo acidez vem de alterações no pH do que se está analisando, sendo ácido tudo que fica com o pH abaixo de 7 (em uma escala de 0 – 14) e alcalino o que está a partir disso. Ao analisarmos a lágrima encontramos um pH médio de 7,5, ou seja, alcalino e não ácido. Mesmo em estudos já realizados que comprovaram que o pH médio da lágrima de cães era 6 (que seria considerado ácido), o resultado quanto à pigmentação dos pelos não foi relacionado à acidez da lágrima e sim ao tipo de alimentação que esses animais consumiam.


Então está fácil, é só trocarmos a alimentação e tudo resolvido! Certo? Na verdade, também não é bem assim. As principais causas de epífora e lacrimejamento envolvem alterações da drenagem da lágrima da região ocular para a região nasal, ou são causadas por um aumento de produção decorrente de alguma irritação ocular. Alguns exemplos do que pode causar isso são obstruções do ducto nasolacrimal, alterações anatômicas do sistema de drenagem e alterações palpebrais que causam irritação ocular. Frente a esses problemas sabemos que outros piores podem ocorrer, como dermatites na região da face ou piora nos quadros oculares de alguma doença que esteja causando essa irritação.


Ok, mas e o que fazer? O ideal é procurar um profissional que trabalhe com a especialidade de oftalmologia veterinária para diagnosticar qual a causa do lacrimejamento e tratar o problema de base. Outro ponto a ser observado são as conhecidas condutas de trocas de rações e uso de alguns medicamentos (principalmente antibióticos) que podem alterar a pigmentação do pelo, porém, esses não tratam efetivamente o problema, somente mascaram que ele não existe, além de favorecerem o aumento da resistência bacteriana a antibióticos, trazendo maiores riscos ao seu pet.


#FiqueAtento

Não confie em informações encontradas em sites sem credibilidade, nem dê atenção às recomendações de pessoas que não estão capacitadas ao atendimento animal e de doenças oculares. O médico veterinário é o profissional que melhor pode ajudar com a saúde do seu bichinho de estimação!


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CRMV/RS 11501

Mestre em Ciências Veterinárias pela UFRGS com ênfase em Oftalmologia Veterinária





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