Você sabia que os cães podem ter “Alzheimer”?


Todos os seres vivos envelhecem e, conforme a idade avança, junto vem diversas enfermidades que atingem o organismo dos cães e gatos. Assim como seus tutores, os animais também são atingidos por problemas de saúde. Um deles é a Síndrome da Disfunção Cognitiva Canina (SDCC), que se assemelha ao “Alzheimer”.

A estimativa de vida canina varia de acordo com a raça, porém quanto maior a raça, menor a expectativa. Em geral, cães de raças grandes são classificados como idosos já quando atingem os 8 anos, cães de raças médias ao atingirem os 9 anos e os de pequenas raças aos 10 anos.

Mesmo tratando-se de um grupo com maior pré-disposição, nem todos os cães idosos são afetados. Nota-se uma variação na intensidade e sintomatologia desses pacientes acometidos pelo declínio cognitivo.

A prevalência de SDCC varia de 14% a 35% em cães com mais de 10 anos de idade, e o risco de desenvolver aumenta exponencialmente com a progressão da idade.

As primeiras mudanças de comportamento notadas pelos tutores são perda de memória e dificuldade no aprendizado, sendo considerados marcadores clínicos muito importantes do processo degenerativo. Tais mudanças, muitas vezes, causam perda da interação entre tutor e animal, podendo levar a uma diminuição significativa na qualidade de vida. Outras alterações notadas frequentemente são desorientação, fezes e urina em locais não habituais, mudanças no ciclo de sono-vigília (trocar a noite pelo dia), redução na função de memória, falta de reconhecimento dos tutores, vocalização, inquietação, redução na resposta a comandos, dentre outros.


Mas, afinal, o que é essa síndrome e o que a ocasiona?

Diversos estudos tentam apontar as principais causas desse processo degenerativo. Destacam-se como principais fatores envolvidos os danos oxidativos e disfunção mitocondrial, perda seletiva neuronal, fosforilação proteica e formação de placas senis (substância ß-amelóide). Além das modificações microscópicas na homeostase encefálica, notam-se transformações macroscópicas observadas nestes pacientes, incluindo distúrbios vasculares e a redução do volume cerebral, principalmente do lobo frontal, além da dilatação assimétrica dos ventrículos cerebrais.

Infelizmente não há um tratamento curativo para esses pacientes. Porém, diversos protocolos terapêuticos podem ser administrados a fim de controlar os sinais apresentados, melhorando significativamente a qualidade de vida dos animais.

Se o seu pet apresenta algumas dessas mudanças comportamentais, agende uma consulta com o veterinário de sua confiança, para avaliação completa e diagnóstico preciso. Pois, além de quadros degenerativos, outras patologias afetam com frequência os animais idosos, como alterações vasculares, neoplasias, causas autoimunes, etc., ocasionando também alterações comportamentais.

O diagnóstico precoce do comprometimento cognitivo aumenta muito as chances de sucesso da terapia preconizada pelo Médico Veterinário.


Dra. Silviane H. Silveira Médica Veterinária com especialização em clínica geral, farmacologia e neurologia veterinária (54) 9 8119.7928 @med.vet.silvianehs

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