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LEISHMANIOSE VISCERAL EM CÃES: SAIBA MAIS SOBRE ESSA DOENÇA GRAVE





#PATOLOGIACLÍNICA Para quem nunca ouviu falar, o nome soa estranho: Leishmaniose Visceral Canina (LVC). Essa é uma doença grave, de importância em saúde pública, porque apresenta alta letalidade e difícil diagnóstico (provavelmente um em decorrência do outro) em humanos. Em resumo, a doença acomete tanto humanos quanto animais e a característica do mal se estende às outras espécies: ela mata nossos cães.

No Rio Grande do Sul, o primeiro caso de Leishmaniose Visceral Humana (LVH) foi identificado em 2009, no município de São Borja, e levaram apenas sete anos para confirmar o primeiro caso autóctone na cidade de Porto Alegre - casos autóctones são aqueles contraídos no território em que a pessoa ou o animal vive, e não oriundos de viagens a regiões endêmicas. O primeiro óbito em Porto Alegre foi o de uma criança de apenas dois anos (em 2019), que havia passado por extensos exames, buscando justificar as febres intermitentes e alterações clínicas que apresentava. No período de cinco anos, do total de 113 notificações suspeitas na cidade de Porto Alegre, 20 foram confirmadas e destas, cinco evoluíram para óbito (refletindo uma mortalidade de 25% ).


Porto Alegre teve o primeiro caso de LVC confirmado em 201 O, demonstrando que já se sabia: os casos em cães precedem os casos em humanos. Isso porque os cães atuam como reservatório da doença, já que podem estar incubando de forma assintomática e, mesmo assim, disseminando o agente, permitindo infecção de outros animais e pessoas dentro de um perímetro de contágio.


Tanto para humanos como para cães doentes ( e outros animais), não é possível se livrar da infecção: uma vez parasitado, para sempre infectado. Já a "parte

Revista PetSerra I Conteúdo com relevância animal.


Tanto para humanos como para cães doentes ( e outros animais), não é possível se livrar da infecção: uma vez parasitado, para sempre infectado. Já a "parte boa" da doença é que ela não é transmissível de forma direta entre animais ou humanos acometidos: é necessário um inseto para fazer o ciclo de transmissão (ou seja, um vetor). Esse vetor precisa picar o animal doente para se infectar e, em seguida, picar outro animal ( ou ser humano) para transmitir e, assim, perpetuar a doença. Nesse aspecto, muito parecida com os vírus da Dengue, Zika e Chikungunya, porém aqui não se trata de um vírus, mas sim de um protozoário. E essa é a parte boa? Sim, porque para quebrar o ciclo de transmissão, basta eliminar a fonte de infecção do vetor (já que o inseto é nativo mesmo, ou seja, a ocorrência dele já é natural na nossa região e podemos, no máximo, controlá-lo). Portanto, será necessário, juntamente com o controle do vetor, reduzir os casos de condição de reservatório da doença. E para isso precisamos diagnosticar e controlar os cães positivos na nossa região.


Por mais que a legislação estabeleça que é indicada a eutanásia de cães positivos, o tratamento já existe e essa conduta não é condição obrigatória: podemos tratar e monitorar esses pacientes, possibilitando longevidade com qualidade de vida para os pets. Mas para que isso aconteça, é necessário que o clínico veterinário suspeite da doença em estágio inicial e que realize inquérito sorológico (exames de sangue) para diagnóstico precoce. Assim, já que a doença é de notificação obrigatória, os cães positivos podem ser monitorados pelo órgão competente, a fim de evitar a disseminação da doença nos focos de ocorrência - com exames periódicos, o uso de coleiras impregnadas com deltametrina a 4% ( e outros procedimentos ambientais) e o devido tratamento para que a condição de "reservatório" se tome muito baixa. Essas ações somente são possíveis com a colaboração do tutor do animal, sendo ele um dos mais responsáveis no processo da prevenção da disseminação da doença na população de pessoas e outros animais.


A DOENÇA É SILENCIOSA E PODE LEVAR ANOS ATÉ SER DETECTADA. FAÇA EXAMES REGULARMENTE NO SEU CÃO.


Lutzomya spp.

(Mosquito-palha)















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MELISSA BOSSARDI CRMV-RS 11519

Médica veterinária formada desde 2010 e há 9 anos atua no setor de diagnóstico veterinário como sócia-proprietária do Mellislab em Caxias do Sul.




Referências bibliográficas

Guia de bolso - Leishmaniose Visceral. Comissão Nacional de Saúde Pública do CRMV. l ª ed. 2020. Portaria Nº 264, de 17 de fevereiro de 2020. Ministério da Saúde, Brasil. Revista Diretrizes Brasileish - Diretrizes para o diagnóstico, estadiarnento, tratamento e prevenção da leishmaniose canina. Grupo de estudos em leishmaniose animal, 2016. Secretaria da saúde do estado do Rio Grande do Sul, 2022. Disponível em: www.saude.rs.gov.br/leishmanione-visceral. Acesso em: 11 de agosto de 2022. Informativo de vigilância em saúde, secretaria municipal de Porto Alegre, 2022. Disponível em: www.prefeitura.poa.br/sms/noticias/informativo-da-vigilancia-em-saude-apresenta-panorarna-da-leishmaniosevisceral-na. Acesso em: 11 de agosto de 2022. Diagnóstico veterinário como sócia proprietária do Mellislab em Caxias doSul.

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