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Como a quimioterapia é realizada em cães e gatos, você sabe?

Tassiane de O. Candido - Médica Veterinária com pós-graduação em Oncologia de Pequenos Animais. Especializada em Terapia Celular com Células Tronco. Coordenadora dos cursos de pós-graduação na Clínica Médica e Cirúrgica Qualittas Caxias. Membro da Associação Brasileira de Oncologia Veterinária (ABROVET) e da Associação dos Médicos Veterinários de Pequenos Animais da Serra Gaúcha (AMVEP). Voluntária do Grupo Veterinários de Rua (Médicos do Mundo) Caxias

Na edição anterior da revista PetSerra, trouxemos informações importantes sobre a quimioterapia em cães e gatos, o quanto essa palavra, às vezes, sensibiliza e assusta os tutores, o quanto existem mitos, medos e desinformações em torno do diagnóstico e das medidas terapêuticas, clínicas e cirúrgicas para o câncer, e como os tratamentos atuais podem ajudar – e muito – para manter a qualidade de vida e o bem-estar do pet, quando a cura da doença não é mais possível. Abordamos, também, os diversos tipos de quimioterapias existentes para o tratamento da doença e quais são as indicações para cada caso.

Agora, vamos tratar das principais vias de administração do tratamento quimioterápico, sua utilização e recomendações, para que médicos veterinários e tutores possam compreender melhor a doença e os protocolos existentes na oncologia veterinária.


PRINCIPAIS VIAS DE ADMINISTRAÇÃO

Quimioterapia Oral

A via oral na quimioterapia é utilizada para aqueles fármacos que possuem uma boa absorção gastrointestinal e que não irritam a mucosa, e nos pacientes que estão estáveis quanto aos vômitos. Porém, trata-se de uma modalidade com absorção mais lenta e demorada para se obter resposta. Portanto, onde se necessita de uma resposta rápida, quando o fator tempo é fundamental, essa via não é a melhor recomendação.

Quimioterapia Intravenosa

A administração por via venosa (na veia) é a mais utilizada e mais segura, mas requer cuidados importantes, principalmente quando os fármacos são vesicantes (capazes de causar inflamação intensa e necrose tecidual quando extravasado do vaso). Os antineoplásicos podem ser aplicados em bólus (através de seringas) ou por infusão contínua (através de bomba de infusão). A modalidade escolhida dependerá do fármaco a ser utilizado, volume, tempo de administração, exposição à luz e vaso sanguíneo escolhido.


Quimioterapia Intramuscular e Subcutânea

Devemos sempre lembrar que os pacientes oncológicos, no geral, têm a atividade da medula óssea diminuída, resultando, assim, em uma diminuição no número de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. Devido a essas condições, o paciente desenvolve uma fragilidade cutânea e vascular, associada a uma fraqueza no organismo. Então, alguns cuidados quanto aos princípios de aplicação dos fármacos por essas vias precisam ser observados. São vias onde costumam gerar dermatotoxicidade local e a absorção também é mais lenta. Deve-se realizar antissepsia rigorosa, optar por agulhas com o calibre menor possível, revezar as áreas de aplicação e realizar compressas locais (conforme o tipo de fármaco, podem ser necessárias compressas frias ou mornas).


Quimioterapia Tópica

Existem fármacos imunomoduladores, em forma de creme, que podem ser aplicados sobre a ceratose actínica e em alguns cânceres iniciais, pois possuem características antivirais e antineoplásicas. Esses são utilizados em variadas enfermidades na medicina (humana) e vêm ganhando espaço para utilização em inúmeras doenças na medicina veterinária, em diversas espécies. Sua adesão é facilitada ao tratamento por poder ser utilizada na residência do paciente. Esse medicamento faz com que o sistema imunológico reaja à lesão da pele e provoque sua destruição. É normalmente aplicado algumas vezes por semana, durante várias semanas.


Quimioterapia Intralesional/Intratumoral

Em situações nas quais há impossibilidade de adoção de procedimentos cirúrgicos (com ressecção incompleta da lesão, devido à sua extensão) ou no uso de outras modalidades terapêuticas, sejam por questões anatômicas (relacionadas à localização, dimensões e prolongamento dos CCE’s), técnicas, operacionais e/ou financeiras, tem-se como uma alternativa a quimioterapia intralesional. Essa modalidade vem demonstrando resultados promissores na regressão completa ou parcial do CCE cutâneo felino, com raros efeitos colaterais nos pacientes. Essa técnica apresenta baixo custo e não requer equipamentos específicos e de difícil acesso, extinguindo, assim, alguns fatores limitantes na terapia do CCE cutâneo em gatos.

Quimioterapia Metronômica

É uma modalidade terapêutica onde o agente quimioterápico é administrado em baixas doses, em curtos intervalos e continuamente, diferente da quimioterapia em dose máxima tolerada. É uma modalidade terapêutica que se encontra sob investigação, sendo necessários mais estudos clínicos para avaliar as melhores combinações de fármacos contra os diferentes tipos de neoplasias, bem como as doses mínimas efetivas. O baixo custo, a conveniência dos protocolos e a baixa ocorrência de efeitos adversos revelados até o momento tornam promissora a utilização dessa modalidade terapêutica na oncologia veterinária.


#Dica da Onco

O tratamento com quimioterapia visa a obter o maior sucesso possível para dar ao paciente oncológico a melhor e mais digna forma de viver, e ao tutor o suporte necessário para que ele entenda, desvende e participe ativamente de todas as etapas do tratamento com afinco. Isso porque tanto o oncologista quanto o tutor terão uma atuação decisiva para que o animal receba todos os cuidados necessários, buscando dar a esse paciente mais VIDA aos seus DIAS, MESES E ANOS.


Dra. Tassiane de O. Candido Whats App: (54) 9 9115.6453

Insta: @oncoclinvetrs

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